O imóvel em nome dos filhos com usufruto dos pais é uma estratégia bastante utilizada no planejamento patrimonial e sucessório, permitindo a antecipação da herança com preservação do direito de uso do bem pelos genitores.
Essa alternativa é comum entre famílias que desejam organizar o patrimônio ainda em vida.
Ao optar por esse modelo, os pais transferem a propriedade do imóvel aos filhos, mas mantêm o direito de usar, morar ou receber rendimentos do bem.
Apesar de parecer simples, o instituto do usufruto possui regras específicas que precisam ser bem compreendidas, este artigo do Cartório Online Brasil vai te explicar mais sobre esse tema.
Entender como funciona o imóvel em nome dos filhos com usufruto dos pais ajuda a evitar conflitos familiares, problemas jurídicos e dúvidas sobre direitos e limitações das partes envolvidas.
Como funciona o imóvel em nome dos filhos com usufruto dos pais?
Nesse modelo, a propriedade do imóvel é dividida juridicamente entre nua-propriedade e usufruto, cada uma com direitos e deveres distintos.
Transferência da nua-propriedade aos filhos
Os filhos passam a ser os proprietários do imóvel, mas de forma limitada, eles não podem usar ou dispor livremente do bem enquanto o usufruto estiver vigente.
Manutenção do direito de uso pelos pais
Os pais, como usufrutuários, mantêm o direito de morar no imóvel ou de alugá-lo e receber os rendimentos, mesmo não sendo mais os proprietários plenos.
Formalização por escritura pública
A constituição do usufruto ocorre por meio de escritura pública em cartório, com posterior registro no cartório de registro de imóveis para produzir efeitos legais.
Limitações para venda do imóvel
A venda do imóvel só pode ocorrer com a concordância de todas as partes: os filhos (nus-proprietários) e os pais (usufrutuários), sem isso, a alienação não é válida.
Reflexos na sucessão
Com a morte dos usufrutuários, o usufruto se extingue automaticamente, consolidando a propriedade plena em nome dos filhos, sem necessidade de inventário sobre o bem.
Quais são os direitos e deveres dos pais como usufrutuários do imóvel?
Os pais, na condição de usufrutuários, têm direitos amplos de uso, mas também assumem obrigações legais.
Direito de uso e moradia
Os usufrutuários podem morar no imóvel livremente enquanto o usufruto estiver vigente.
Direito de fruição econômica
É permitido alugar o imóvel e receber integralmente os rendimentos do aluguel.
Dever de conservação do bem
Cabe aos usufrutuários manter o imóvel em bom estado, realizando reparos de manutenção e evitando deterioração.
Pagamento de despesas ordinárias
Despesas como água, luz, condomínio e manutenção cotidiana são de responsabilidade dos usufrutuários.
Limitação quanto à disposição do imóvel
Os pais não podem vender ou transferir a propriedade, pois essa pertence aos filhos (nus-proprietários).
Como fazer o documento de usufruto de um imóvel?
A constituição do usufruto exige formalização adequada para ter validade jurídica.
1. Elaboração da escritura pública
O usufruto é instituído por escritura pública em cartório de notas, geralmente junto com a doação do imóvel.
2. Definição das condições do usufruto
Na escritura, devem constar as regras, o prazo (normalmente vitalício) e os direitos das partes.
3. Assinatura das partes envolvidas
Pais e filhos devem comparecer ao cartório para assinar a escritura.
4. Registro no cartório de imóveis
Após a lavratura, a escritura deve ser registrada na matrícula do imóvel para produzir efeitos perante terceiros.
Quais documentos são necessários para lavrar a escritura de doação com usufruto?
A documentação pode variar conforme o cartório, mas normalmente inclui:
- Documentos pessoais dos pais e dos filhos (RG e CPF)
- Certidão de casamento ou nascimento das partes
- Matrícula atualizada do imóvel
- Comprovante de quitação de tributos municipais
- Informações sobre o valor do imóvel para fins fiscais
Em alguns casos, podem ser exigidos documentos adicionais conforme a situação familiar ou patrimonial.
É possível alugar ou vender o imóvel durante o usufruto vitalício?
O imóvel pode ser alugado pelos usufrutuários, que têm direito aos rendimentos do aluguel.
Já a venda do imóvel só é possível com a concordância de todas as partes: usufrutuários e nus-proprietários.
Sem essa concordância conjunta, a venda não é válida, pois os direitos estão divididos entre uso (usufruto) e propriedade (nua-propriedade).
Como o usufruto afeta o planejamento sucessório e a herança?
O usufruto é uma ferramenta eficiente de planejamento sucessório, pois antecipa a transmissão do patrimônio aos filhos.
Com o falecimento dos pais, o usufruto se extingue automaticamente, consolidando a propriedade plena nos filhos.
Isso evita a necessidade de inventário sobre o imóvel, reduz custos e simplifica a sucessão, desde que a doação tenha sido feita corretamente.
Quem paga impostos como IPTU e ITCMD nessa modalidade?
O IPTU, em regra, é de responsabilidade do usufrutuário, pois ele exerce o uso e a posse do imóvel.
Já o ITCMD incide no momento da doação da nua-propriedade aos filhos e deve ser recolhido conforme a legislação estadual.
Compreender esses deveres fiscais é essencial para evitar pendências e garantir que o planejamento patrimonial com usufruto seja eficiente e seguro.
É possível revogar ou extinguir o usufruto antes do falecimento dos pais?
Sim, o usufruto pode ser extinto antes do falecimento dos pais, mas isso depende de algumas condições legais.
Uma das formas mais comuns é a renúncia expressa do usufruto, feita voluntariamente pelos pais por meio de escritura pública.
Outra possibilidade é a extinção por acordo entre as partes, quando usufrutuários e nus-proprietários concordam com o encerramento do direito.
Há também hipóteses legais de extinção, como o não uso do imóvel por longo período, destruição do bem ou decisão judicial em situações específicas.
É importante destacar que a revogação não ocorre de forma automática nem unilateral sem respaldo legal. Cada caso deve ser analisado conforme a forma como o usufruto foi constituído e registrado.
Planejar corretamente a constituição e eventual extinção do usufruto evita litígios e garante segurança jurídica para toda a família, o imóvel em nome dos filhos com usufruto dos pais pode ser uma solução eficiente quando bem orientada.
Para continuar aprendendo sobre planejamento patrimonial, registros imobiliários e soluções legais para proteger a família, acompanhe os outros conteúdos do site!

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